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Abilio Diniz avalia a malsucedida fusão Pão de Açucar-Carrefour

Após a tempestade provocada pela intenção de união entre o Pão de açúcar e o Carrefour, o empresário Abilio Diniz faz um balanço da operação e divulga sua avaliação no blog que mantém na internet. "Costumo ensinar para meus alunos do curso de liderança na FGV, que se tiverem que cometer erros, que sejam só erros novos". Segundo ele, "os erros cometidos por outras pessoas não me dão o direito de cometer os meus".

Em uma pesquisa encomendada por ele via redes sociais a respeito da fusão o resultado foi negativo. “A repercussão na rede foi negativa para a operação, mas gostaria de agradecer a todos que postaram comentários, críticas e também elogios e palavras de estímulo”, diz.

Abilio Diniz volta a dizer que não descumpriu o acordo com o sócio Jean-Charles Naouri, presidente do grupo francês Casino e principal opositor à fusão do grupo brasileiro com o Carrefour. “Nunca rasguei contrato ou descumpri acordos. Aprendi com meu pai que a palavra era tão importante quanto a assinatura e que tinha de ser honrada. Como fiz em outras ocasiões, busquei oportunidades de crescimento para a Companhia e com uma proposta concreta em mãos queria discutir com Jean-Charles”.


• Ilustrução do desenhista Zeca Vilela, que colabora com Aporte Economia, direto de Dublin (Irlanda)

Um dos momentos mais criticados em torno da anunciada fusão entre Pão de Açúcar e Carrefour foi  o apoio do  Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) ao negócio. "Na crítica, fui colocado como alguém buscando favorecimento governamental a custo do povo. Apesar da aparência, a realidade foi bem outra", diz.
"Não havia qualquer subsídio, não era empréstimo e sim compra de ações rigorosamente a preço de mercado, com perspectiva de ganhos altíssimos para o banco", emenda. Segundo ele, mesmo antes da saída do BNDES, o dinheiro necessário para uma substituição já estava sendo recomposto por fundos privados. "Mas nunca conseguimos comunicar isso de forma clara e correta".

Vendas de alimentos no Brasil

O empresário afirma que, de acordo com estudos realizados, a soma das lojas do Grupo Pão de Açúcar com as do Carrefour representa menos de 18% da venda total de alimentos no Brasil. “É evidente que em locais onde houvesse superposição, além do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) nos recomendar a venda para a concorrência de uma das lojas, nós mesmos iríamos considerar não econômica a operação das duas.”

O Pão de Açúcar já fez muitas aquisições e estamos acostumados a este processo. Além disso, com a fusão conseguiríamos uma economia enorme nas operações. As sinergias foram avaliadas por consultorias e os números são muito grandes. Como sempre fizemos, estes ganhos seriam repassados aos nossos consumidores. Um exame de nossos balanços e de nossa margem mostra isto com clareza. O perfil das lojas do Grupo Pão de Açúcar e do Carrefour é bem diferente, assim como as linhas de mercadoria. Dessa forma as marcas seriam mantidas e preservadas as identidades das lojas.

Inflação e concorrência

No final do relatório sobre a operação malsucedida, Abilio Diniz compara os índices de inflação e o repasse da taxa para o consumidor dentro da sua rede de hipermercados. “Historicamente, grandes corporações varejistas ajudam muito os governos de seus países no combate à inflação e na melhoria de todo o sistema de distribuição. O ano passado, por exemplo, enquanto a inflação foi de 5,5%, o crescimento de preços dentro dos nossos hipermercados foi de apenas 3,5%.”

O empresário destaca ainda que hoje os grandes competidores do Grupo Pão de Açúcar não são o Carrefour e o Walmart. Segundo ele, são os pequenos e tradicionais que representam cerca de 50% da distribuição de alimentos no país. “Pelo que se conhece da história, apesar da concentração, a distribuição tradicional continuará a existir e crescer, mantendo sua participação no mercado”, conclui.

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