A necessidade de reduzir os custos da logística do transporte de cargas no Brasil ainda é um grande desafio para as empresas instaladas no país. O problema foi tema seminário “Desafios e Perspectivas em Transporte e Logística no Brasil”, promovido pelo Banco Mundial, em Brasília.
O consultor Jorge Rebelo apresentou um estudo sobre como reduzir o custo do frete logístico no Brasil. Além da necessidade de equilibrar a matriz e de investir em infraestrutura de transporte, ele destacou a importância do investimento em estocagem, armazenagem e administração. “É preciso também melhorar os incentivos para o setor privado poder construir mais facilmente armazéns e terminais intermodais”, disse.
Em relação à área que inclui tecnologia, computação e eletrônico, a distribuição dos custos logísticos ocorre da seguinte forma: 40% se referem a custos do transporte, 34% a custos de estoque e 27% a custos de armazenagem. Portanto, investir na eficiência de todas as fases do processo logístico é fundamental para a redução geral dos custos.
Em 2010, o Brasil ficou na posição número 41 no ranking de desempenho de logística do Banco Mundial. A colocação melhorou nos últimos anos, entretanto, Rebelo ressaltou que ainda precisa evoluir bem mais. “Acho que o Brasil teria de estar alinhado com países como Austrália e Canadá, que ficam na colocação entre 20 e 30”, avalia.
Durante o seminário do Banco Mundial, os participantes apontaram que o desbalanceamento da matriz de transporte brasileira constitui um dos principais focos de ineficiência do sistema de logística. Cerca de 60% das cargas do país são movimentadas pelo modal rodoviário.
Representantes dos Estados de São Paulo e do Rio de Janeiro apresentaram os desafios logísticos a serem enfrentados e destacaram a necessidade da integração modal. Os problemas para o agronegócio também chamaram a atenção em uma das apresentações do seminário do Banco Mundial. Os palestrantes foram enfáticos ao defender a necessidade de se melhorar os acessos rodoviários e ferroviários aos portos do Brasil.
Na área de transporte aéreo de passageiros, o seminário discutiu a necessidade de mais investimentos. Conforme estimativas da Secretaria de Aviação Civil, nos próximos anos o Brasil deve manter a média de crescimento anual no número de passageiros do sistema aéreo em torno de 20%. O seminário discutiu ainda temas como a cabotagem, corredores multimodais, integração logística em ferrovias.