Contrariando a tendência na América Latina de eleger líderes progressistas, pela primeira vez em 20 anos desde sua redemocratização o Chile deve escolher um presidente da República conservador. Daqui a uma semana os eleitores vão às urnas, no dia 13. A tendência em votar na oposição é tão forte que nem mesmo o elevado percentual de popularidade da presidente chilena, Michelle Bachelet, segundo analistas, será capaz de fazer seu sucessor.
Os analistas políticos afirmam que dois fatores colaboram para o cenário político chileno ser levado para a centro-direita. O primeiro é que o eleitorado estaria estimulado pelo sentimento de mudança, daí a chance de um candidato conservador ser vitorioso. O segundo aspecto é que a coligação de esquerda Concertación, de Bachelet, rachou durante a escolha do candidato à sucessão.
Fantasma de Pinochet
Pela primeira vez nas últimas duas décadas, as eleições no Chile ocorrerão sem a presença do ex-presidente e ditador Augusto Pinochet - morto em dezembro de 2003. Responsável por inspirar admiradores incondicionais e críticos radicais, mesmo quando afastado do governo Pinochet atuou nos bastidores políticos do país.
Um dos mais temidos ditadores da América Latina, Pinochet governou o Chile por 17 anos - de 1973 a 1990. O general comandou o golpe militar que derrubou o governo do presidente socialista, Salvador Allende. Foi acusado de uma série de crimes, como o desaparecimento de mais de 3 mil pessoas durante a ditadura.
Em dezembro de 2003, o militar morreu aos 91 anos em consequência de enfarto e edema pulmonar. A morte de Pinochet gerou protestos favoráveis e contrários a ele. Integrantes das Forças Armadas prestaram as últimas honras. As vítimas do regime militar promoveram um ato em homenagem a Allende em Santiago (capital chilena).
Recentemente o tenente Augusto Pinochet Molina, que é neto do ditador e conhecido como Pinochet III, fez um discurso crítico ao governo de Michelet Bachellet. O oficial acabou expulso da corporação por sua atitude, que foi interpretada como insubordinação.
A polarização política, no entanto, não impedirá de haver segundo turno no Chile, no dia 17 de janeiro. Para vencer no primeiro turno é necessário que o candidato obtenha mais de 50% dos votos. Os eleitores vão votar também para deputados federais e senadores.
Pesquisas recentes mostram que o empresário Miguel Sebastián Piñera, da coligação Alianza (conservadora), lidera as intenções de voto, seguido pelo ex-presidente Eduardo Frei, da Concertación (esquerda), e Marco Enriquez-Ominami Gumucio, independente.
De acordo com observadores brasileiros, essa campanha presidencial não gerou entusiasmo nem discussões acaloradas. Com mais de 70% da população católica, as questões ligadas à religião, conduta e moral dominaram os debates políticos. Em pauta, assuntos como a legalização de uniões de fato e entre pessoas do mesmo sexo, além do aborto.
O voto no Chile é obrigatório para todos com mais de 18 anos e estrangeiros que moram no país há mais de cinco anos. As zonas eleitorais serão abertas às 7h e fechadas às 16h. O presidente eleito do Chile assume o cargo no dia 11 de março.
- informações da Agência Brasil