O Brasil captou ontem (15) US$ 500 milhões no mercado internacional com os menores juros da história. O Tesouro Nacional emitiu títulos da dívida externa com vencimento em 2019 com taxa de retorno (juros cobrados pelos investidores para comprarem os papéis) de 4,75% ao ano.
A taxa não apenas é a mais baixa para títulos externos com prazo de dez anos, mas é a menor entre todos os lançamentos de títulos brasileiros em dólar. Antes da emissão de hoje, os menores juros haviam sido de 5,299% ao ano, registrados em maio de 2008. Na ocasião, o país também havia lançado títulos de dez anos.
Juros menores significam que os investidores internacionais estão menos desconfiados do risco de que o país dê calote. Taxas baixas também indicam que os investidores externos estão mais confiantes na estabilidade econômica do país que emite os títulos.
A emissão ocorreu uma semana depois de a agência de análise de risco Standard & Poor's manter o grau de investimento do Brasil. A agência foi a primeira a conceder a classificação ao país, em abril de 2008.
O grau de investimento representa a garantia de que o país tem capacidade de honrar os compromissos e pagar as dívidas interna e externa. Essa classificação permite ao Brasil atrair recursos de fundos de investimentos estrangeiros, que só aplicam onde o risco de calote é baixo.
O Tesouro anunciou ainda que lançará mais US$ 25 milhões em títulos no mercado asiático, mas os resultados finais da emissão externa só serão divulgados amanhã (16). O dinheiro da emissão só será incorporado às reservas internacionais no dia 22.
Esta foi a quinta vez neste ano que o Brasil emitiu títulos no exterior. Em janeiro, o Tesouro captou US$ 1,025 bilhão em títulos com vencimento em 2019. Em maio, foram captados mais US$ 750 milhões no exterior também em papéis com vencimento em 2019.
No final de julho, o Brasil emitiu mais US$ 525 milhões em títulos com vencimento em 2037 e, no final de setembro, o país captou US$ 1,25 bilhão em papéis com vencimento em 2041.