Domingo, 20 Maio 2012 Importante para você.

"O Judiciário deveria aprender com as empresas", diz corregedor

O corregedor geral da Justiça do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, criticou no último dia 30 a estrutura do judiciário brasileiro, considerada por ele como ineficiente: "O Judiciário deveria aprender com a empresa", declarou ao participar da reunião mensal do Conselho Superior de Estudos Avançados, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Na avaliação de Nalini, o Brasil tem uma cultura de judicialização de conflitos de todos os tamanhos e naturezas, o que torna a estrutura jurídica nacional tão inchada quanto ineficiente. "Precisamos de mais conciliação, negociação, arbitragem, mediação e menos processos, recursos, instncias etc", disse.

"A estrutura empresarial sobreviveu e se desenvolveu mesmo sem a proteção do dinheiro garantido proveniente dos impostos. É esse o modelo que deveríamos implantar no Poder Judiciário. Precisamos de metas, qualidade, agilidade e sobretudo compromisso com o atendimento das expectativas do usuário final que é quem paga por isso: a população.”

O corregedor geral chamou atenção para a instrumentalização do judiciário brasileiro e deixou claro que a ineficiência leva a Justiça à injustiça: "Os grandes conglomerados brasileiros estão utilizando cada vez menos o recurso à Justiça, exceto quando querem se valer da morosidade das decisões e medidas protelatórias. No Brasil, o infrator fala para a vítima 'procure seus direitos na Justiça', certo de que a ineficiência vai tratar de promover a injustiça", apontou.

Falando a uma plateia de membros do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) e do Conselho Superior Jurídico (Conjur), o desembargador José Renato Nalini dividiu a mesa conduzida por Ruy Martins Altenfelder Silva com o ex-governador de São Paulo, Luiz Antonio Fleury Filho; o ex-embaixador, Adhemar Bahadian; o reitor da Universidade de São Paulo, José Grandino Rodas, o ex-senador, Jorge Bornhausen, o ex-ministro Patrus Ananias e a presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo, Ivette Senise Ferreira.

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