Domingo, 20 Maio 2012 Importante para você.

União fiscal da UE pode criar na bolsa até o fim do ano

Com a expectativa de que hoje (5) seja anunciado um novo tratado na zona do Euro, com foco em uma proposta de união fiscal, Eduardo Matsura, analista da corretora Souza Barros, acredita que “isto pode desencadear um consistente movimento de alta”.

Essa nova proposta, que visa combater a crise, criaria uma união fiscal para os países da União Européia. Matsura acredita que uma dívida pública uniforme, com regras bem definidas para todos os países da zona do Euro, “deixaria o mercado mais tranquilo, e livre, para recuperar as perdas mais recentes”. Segundo o analista, esse cenário pode levar a um rally na bolsa no fim do ano.

O presidente da França, Nicolas Sarkozy, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, reúnem-se hoje à noite em Paris. Em pauta, os detalhes de um plano para aumentar a integração financeira na zona do euro, que será apresentado a uma cúpula europeia na sexta-feira (9).

Pela proposta, haverá uma união fiscal entre os 17 países da zona do euro – que adotam o euro como moeda única –, permitindo mais controle sobre impostos e gastos, assim como sanções para os países que descumprirem as regras.

Sarkozy e Merkel reconheceram que as mudanças poderão alterar os tratados da União Europeia. Mas analistas dizem que ainda há discordâncias sobre quanto poder será transferido a Bruxelas. Ontem (4), o governo italiano anunciou medidas anticrise que incluem aumentos de impostos e cortes de gastos.

O vice-presidente da Comissão Europeia para os Assuntos Econômicos, Olli Rehn, disse que o pacote aprovado na Itália é o sinal necessário para o novo enfoque político na região. “Esse pacote é um passo muito importante para fortalecer as finanças públicas e apoiar o crescimento econômico, enquanto se preserva a equidade social e a justiça”, disse ele, em comunicado.

Pela proposta anunciada na Itália, há cortes na despesa, aumentos de impostos e uma reforma do sistema de pensões. O plano visa a consolidar em 24 bilhões de euros as finanças públicas italianas, de forma a atingir um Orçamento equilibrado em 2013.

Angela Merkel, disse na sexta-feira (2), em sessão no Parlamento, que deve “demorar anos” o fim da crise econômica internacional, que atingiu vários dos 17 países da zona do euro e os Estados Unidos. Pressionada a tomar decisões na tentativa de conter os impactos da crise, Merkel reiterou sua rejeição à proposta de o Banco Central Europeu emitir títulos em nome do conjunto de países que utilizam a moeda comum.

Para a chanceler alemã, é necessário definir uma espécie de freio da dívida e lançar as bases para a unidade fiscal na área do euro. A ordem do dia é a “união de estabilidade" para  fortalecer a região por meio de uma parceria fiscal. Segundo Merkel, a crise representa "uma oportunidade para fortalecer a União Monetária Europeia".

Ela defendeu ainda uma "nova união fiscal" na Europa, com “mais disciplina” no uso de recursos do orçamento. Para o dia 5, Merkel e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, preparam o anúncio de  propostas para combater os efeitos da crise com disciplina e reestruturação da União Europeia.

Segundo a chanceler, uma nova ordem na regulamentação definirá mudanças nas instituições de supervisão e nos mecanismos para fazer cumprir as disposições. A ideia é estipular regulamentos que incluam a estabilidade.

Para discutir o assunto, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, reúne-se hoje com Sarkozy em Paris. Sarkozy defendeu na quinta-feira (1º) a atuação da União Europeia e prometeu, em parceria com a Alemanha, reformar os tratados do bloco. Segundo ele, a saída da crise econômica internacional depende de trabalho e do controle dos gastos.

O presidente francês disse ainda que a estabilidade da Europa é o principal pilar para garantir a superação dos impactos da crise. De acordo com ele,  as decisões na região devem ser tomadas com “mais disciplina e  solidariedade” dos países-membros. É necessário  “repensar a organização da Europa”, acrescentou.

 

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