Dia 3 de junho. Sexta-feira. Até aqui, desde o primeiro presidente do Brasil democrático, em 1985, o País passou por diferentes fases econômicas que influenciaram a vida de todos os brasileiros (empregados, desempregados e empresários). Do Plano Cruzado, em 1986, quando José Sarney assumiu a Presidência da República, após os “anos de chumbo”, até a ascensão do Plano Real, em fevereiro de 1994, no governo do ex-presidente Itamar Franco, a economia interna sofria um estrangulamento causado pela hiperinflação. Nos 17 anos seguintes, prever que o Brasil pudesse reviver a inflação dos anos 80 seria algo quase ou, de fato, impensável. É verdade que o Real encontrou a estabilidade, apesar de alguns altos e baixos por conta do câmbio, mas o otimismo brasileiro é implacável e não deu lugar ao fantasma dos preços nas alturas.
Esta semana, o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou que os desafios do controle da inflação e da manutenção do equilíbrio fiscal são inerentes a todas as economias do mundo e não apenas do Brasil. Quando perguntaram a ele se a inflação está fora do controle no Brasil, Meirelles respondeu que o país está, hoje, em outro patamar e que os desequilíbrios macroeconômicos já fazem parte do passado. Nas palavras do ex-ministro, o Brasil “continua e continuará, como sempre, tendo que trabalhar para manter esse equilíbrio (macroeconômico), mas o fato concreto é que, hoje, temos muito mais solidez”.
Hoje, o País está em outro patamar no cenário internacional, e a economia interna tem suportado os efeitos de crises externas, o mundo mudou desde 1985, e o Brasil também, mas ainda com ressalvas que precisam ser destacadas. O país ainda avança pouco por conta da alta carga tributária que cerca o setor produtivo, o comércio e o consumidor. Os juros praticados no mercado interno ainda retraem o crescimento das médias, pequenas e micro empresas que, quando buscam crédito para financiar planos de expansão dos negócios, se deparam com prazos curtos demais para quitação da dívida. No caso das grandes empresas, o peso dos impostos recai drasticamente sobre o desempenho anual, puxando para baixo a atividade produtiva, que por sua vez trava o avanço do emprego e reduz a População Economicamente Ativa (PEA), ou seja, quem pode comprar e pagar – uma das peças-chave da roda da economia.
No “toma lá, dá cá” da vida, se o mercado doméstico continua sendo primordial para a sustentabilidade do crescimento econômico brasileiro ao longo dos próximos anos, como avalia o relatório Economia Brasileira em Perspectiva, do Ministério da Fazenda, relativo ao primeiro bimestre deste ano, alguns cenários futuros para o país ainda precisam ser desenhados sem os traços da alta carga de tributos e dos juros – duas linhas que enlaçam o empresário e o consumidor final.