Ouvir continuamente que o empresariado brasileiro e o consumidor comum reivindicam uma redução da carga tributária desgasta qualquer possibilidade de uma manifestação menos apreensiva do setor produtivo sobre os rumos de um cenário fiscal na prática. Isso sem contar que, ainda mais considerando que as empresas brasileiras buscam driblar, a cada dia, os desafios para manter o fôlego financeiro e continuar produzindo sem demitir.
Recente boletim Sondagem Industrial, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), aponta contínua desaceleração da atividade do setor, com índice acima da média esperada para o mês de julho. A utilização da capacidade instalada também é apontada com queda no mês passado, na média de 75%.
A CNI estima que os estoques acumulados em julho tiveram crescimento elevado. Isso naturalmente preocupa a indústria brasileira, já que a entidade que a representa teme uma tendência de pouco crescimento nos próximos meses. Para o economista Marcelo de Ávila, da CNI, outra agravante é “o cenário desfavorável para as vendas, pois tanto o mercado externo quanto o interno estão desaquecidos".
O que também preocupa agora, além da já citada carga tributária, da baixa na atividade e capacidade utilizada da indústria é a recente conclusão de um levantamento sobre o pleito por mais prazos para o pagamentos de impostos e contribuições por parte dos empresários. Isso demonstra um suave desapontamento com uma reforma tributária mais efetiva, e já que não há jeito, para imediatamente, pelo menos, que os prazos sejam mais longos. A pesquisa foi feita com 594 empresas, de 20 a 28 de junho, pela CNI revela que 41,1% das indústrias consultadas têm fluxo de caixa afetado por pagamentos de impostos antes do recebimento das vendas.
Quem produz emprega, ou no mínimo precisa empregar mais para continuar produzindo para atender a demanda de consumo interno e externo. Do outro, quem esbarra em muros para produzir uma hora ou outra pode começar a pensar em desempregar porque a conta precisa bater.